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Pr. Raidno

IGREJA BATISTA, 400 ANOS DE HISTÓRIA
Exmo, Sr. Presidente da Câmara Municipal de Itacoatiara, membros da mesa diretora, Ilustríssimos vereadores e demais cidadãos presentes no plenário desta casa legislativa, quero em nome dos batistas tradicionais desta cidade agradecer-lhes pela oportunidade de pronúncia neste momento histórico para nossas igrejas. Antes, porém, aproveitamos para lhes assegurar que em nossas igrejas temos procurado por em prática a Palavra de Deus também no que concerne orar por nossas autoridades, como é expresso em 1Tm 2.1-3, que diz: “Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, (...) e por todos que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda piedade e honestidade. Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,”.
Nossa intenção com este pronunciamento é tornar público esse fato histórico que diz respeito às nossas igrejas no Brasil, no mundo, e em particular em nosso município. Afinal, 400 anos é um tempo considerável para por a prova qualquer instituição. Sabemos que há hoje um número grande de denominações evangélicas, algumas das quais não têm se mostrado fiéis aos ensinos e princípios bíblicos, aspecto que mais identifica um cristão batista de verdade. Sabemos que haverá um dia em que o Senhor da seara haverá de separar o trigo do joio, enquanto isso não acontece resta-nos conviver com a situação pelo menos mostrando quem é trigo. E com isso não pretendemos dizer que somente nós o somos.
               Diante do exposto, vamos aos fatos relacionados aos 400 anos de história da instituição batista, entretanto, devo lembrar as palavras ditas pelo Dr. Vanias Mendonça, diácono da PIB de Manaus, considerado uma autoridade no que diz respeito a história dos batistas entre nós amazonenses; ele argumenta que os batistas têm dois começos, pois se olharmos para igreja pelo ponto de vista dos princípios e doutrinas, veremos que sua fé e prática de vida encontram-se sendo vividas pelos cristãos primitivos, como é declarado não só no Novo Testamento, mas também por historiadores como Flávio Josefo, e Eusébio de Cesaréia para citar alguns. Com isso podemos dizer que os batistas existem desde os princípios da história da igreja, e até um pouco antes posto que João Batista, precursor do nosso Senhor, já demonstrara defender essa fé que com Cristo ganhou força e clareza, e ainda hoje lutamos para manter.
                Mas, foi no ano de 1609, que John Smyth e alguns irmãos fugindo da perseguição imposta pelas autoridades inglesas, que mantinham no país uma igreja estatal, deram início na Holanda a Primeira Igreja Batista de que se tem registro, e a igreja foi assim chamada por causa da necessidade que os primeiros membros sentiram de se rebatizar, posto que não encontraram na Bíblia este ato sendo praticado com crianças, o batismo, era visto somente de pessoas que podiam professar fé em Cristo.
Em 1611 Thomas Helwys organizou junto com outros irmãos a primeira igreja batista em solo inglês. Thomas Helwys, que era advogado e estudioso da Bíblia, ao escrever um livro intitulado “Uma Breve Declaração Sobre o Ministério da Iniqüidade”. No referido Livro, ele escreveu aquilo que é um dos mais caros princípios batistas, o da liberdade religiosa e de consciência, dizia ele que: “... a religião do homem está entre Deus e ele: o rei não tem que responder por ela e nem pode o rei ser juiz entre Deus e o homem. Que haja, pois, heréticos, turcos ou judeus, ou outros mais, não cabe ao poder terreno puni-los de maneira nenhuma”. Por isso Helwys foi preso e alguns anos depois morrera na prisão. E em 1650 os batistas já contavam com pelo menos 47 igrejas organizadas.
                No Brasil em 1882, quando foi organizada a Primeira Igreja Batista, voltado para a evangelização do Brasil, já existiam desde 1871 duas outras igrejas batistas, organizadas por imigrantes norte-americanos, residentes na região de Santa Bárbara do D'Oeste e Americana, São Paulo.
Os casais de missionários batistas norte-americanos, recém chegados ao Brasil, Willian Buck Bagby e Anne Luther Bagby, os pioneiros; e Zacharias Clay Taylor, Kate Stevens Crawford Taylor, auxiliados pelo primeiro batista brasileiro Antônio Teixeira de Albuquerque, batizado em Santa Bárbara D'Oeste; decidiram iniciar a sua missão na cidade de Salvador, Bahia, com 250.000 habitantes. Ali chegaram no dia 31 de agosto de 1882 e no dia 15 de outubro, organizaram a PIB do Brasil com 5 membros; os dois casais de missionárias e Antônio Teixeira.
Nos primeiros vinte e cinco (25) anos de trabalho, os Bagby e Taylor auxiliados por outros missionários e, por um número crescente de batistas brasileiros, evangelistas e pastores, já tinham organizado 83 igrejas, com aproximadamente 4.200 membros.
Em nossa cidade a Igreja batista começa sua história através de um pequeno grupo de fiéis liderados por um destemido missionário de origem suíça que havia sido repatriado nos EUA, Eurico Alfredo Nelson organizou com este irmão a então Primeira Igreja Batista de Itacoatiara (PIBI), igreja que tenho tido a felicidade de pastorear, e que está preste a completar seu centenário, visto que atua aqui desde 11 de maio de 1913. A PIBI além do trabalho religioso que fez sentir seus efeitos em vários municípios e comunidades da região ao longo dos anos tem contribuído muito com a formação educacional dos Itacoatiarenses através do Educandário Batista, escola fundada em 1958 pelo então Pr. Darciso de Souza Medeiros, e que ganhou durante estes anos grande respeito da comunidade, em especial quando dirigida pelo Pr. Geraldo Dias da Rocha. Através da PIBI outras igrejas já trabalham em nosso município, são elas: Igreja Batista Emanuel, no bairro de Araújo Costa, Igreja Batista Monte das Oliveiras, no Iracy, Igreja Batista El Shadai, no São Cristóvão, e prestes a ser organizada a Congregação Jardim Getsêmani no Jardim Florestal. Além destas possui congregações na Região do Rio Arari, e na Vila de Lindóia.
                “Os batistas não entraram na história da humanidade com uma inócua fé alternativa. Entretanto, eles marcharam para as prisões defendendo a liberdade religiosa para todas as pessoas. A defesa contínua da liberdade de batismo e da fé fez do nome batista um modelo respeitável de fé que perdura até hoje.
                O nome batista, no sentido mais significativo, descreve um movimento, não uma denominação. Denominações, com estruturas e teologias variadas, vão e voltam, e constantemente mudam. O movimento batista, baseado em valores bíblicos, surgiu a 400 anos, cresceu em meio a crises e controvérsias, e se consolidou como uma opção viável de expressão de fé cristã no século 21.
                A seguir, passo a descrever algumas características pelas quais se reconhece um verdadeiro batista:

  • Batistas defendem uma sólida afirmação do senhorio de Cristo.
  • Eles vêem a Bíblia como única autoridade escrita para fé e prática.
  • Eles defendem a liberdade religiosa e a separação entre a Igreja e o Estado.
  • Eles insistem no batismo somente de pessoas decididas.
  • Eles defendem uma igreja composta somente por pessoas regeneradas e batizadas.
  • Eles enfatizam o caráter ministerial de cada fiel.
  • Eles tocam o sino da liberdade em favor dos oprimidos.
  • Eles oferecem possibilidades democráticas para os tiranizados.
  • Eles pronunciam justiça contra a violência.
  • Eles oferecem paz para aqueles que estão fatigados pela guerra.
  • Eles clamam por integridade contra as invasões do secularismo.
  • Eles destacam a verdade como a marca da identidade cristã.
  • Eles reconhecem que a igreja e o estado podem se equivocar na tomada de decisões e que os indivíduos nunca devem vender suas almas para qualquer instituição ou organização. Pois somos responsáveis individualmente perante Deus.

Há alguns indivíduos e organizações que perderam o direito de serem chamados batistas, especialmente aqueles que atacam, por não entenderem, a separação da igreja e do estado, os que minimizaram o caráter ministerial de cada fiel, que aumentaram o controle dos pastores em detrimento da igreja, e que transformaram confissões voluntarias de fé em credos forçados.
Contrariando todos os desafios e a despeito da aparente desvalorização do nome por alguns, as tradições bíblicas e históricas que estão por trás e suportam o nome possui um potencial enorme de oferecer experiências de mudança de vida para as pessoas que assumam totalmente a história e os valores batistas.
Concebido em meio a um espírito de sacrifício e determinação para representar o Espírito de Cristo, o nome batista permanece. Hoje, este nome ganhou possibilidades e dimensões globais. O nome e movimento batista têm muito a oferecer para o futuro da humanidade.


A Deus toda glória.


Pr. Raidno França
Discurso proferido na Câmara Municipal de Itacoatiara (Am)
Dia 08/09/2009

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